Anodizado ou pintado: como escolher o acabamento do perfil para a obra
Anodização converte a superfície do próprio alumínio em óxido, camada que nasce do metal e não descola. Pintura eletrostática cura uma película de tinta em pó sobre o perfil. A película aceita qualquer cor de catálogo e permite retoque em obra. Da origem da camada vêm a durabilidade e o que se confere no recebimento.
Costuma-se tratar essa escolha como questão de gosto, quando ela é técnica: o ambiente da obra decide boa parte dela.
Como funciona a anodização?
Na anodização, o perfil vira parte de um circuito elétrico, sem tinta nenhuma. A proteção vem do próprio metal, convertido em óxido pelo banho e pela corrente. O óxido de alumínio faz uma camada dura, integrada e dimensionada pelo ambiente da obra.
Banho eletrolítico: o perfil imerge na solução e entra no circuito como anodo, origem do nome anodização.
Corrente elétrica: a passagem da corrente pelo banho oxida a superfície do alumínio.
Camada nascida do metal: o óxido cresce do próprio alumínio, sem interface entre camada e perfil.
Aderência: sem interface, não existe fronteira onde a camada possa descolar ou lascar.
Espessura em mícron: o ambiente da obra dimensiona a camada, medida na milionésima parte do metro.
Como funciona a pintura eletrostática?
Pintura eletrostática a pó aplica material novo sobre o perfil. A eletricidade espalha a tinta antes de qualquer calor. O pó carregado adere ao alumínio aterrado e vira película contínua na estufa. Cor de catálogo e retoque em obra vêm dessa película aplicada.
Pó carregado: a tinta sai da pistola em partículas com carga elétrica, sem solvente.
Atração eletrostática: o perfil aterrado atrai o pó, que cobre bordas e reentrâncias por igual.
Estufa: o calor funde as partículas e as transforma numa película única sobre o perfil.
Cura: a película endurece aderida ao alumínio, como revestimento contínuo na cor escolhida.
Camada final: a AFEAL recomenda camada média de 60 a 70 mícrons, com primers de adesão contra o descolamento.
Os dois lado a lado
Anodizado
Pintado
O que é a camada
óxido formado do próprio alumínio
película de tinta curada sobre o perfil
Aparência
metálica, com a textura do metal visível
uniforme e opaca ou brilhante, sem aspecto metálico
Cor
fosco, bronze, preto e cores obtidas no processo
qualquer cor de catálogo, inclusive RAL
Comportamento em ambiente agressivo
bom, e depende da espessura da camada
bom, e depende da integridade da película
Risco típico de falha
mancha e variação de tom
bolha, descolamento e diferença de tonalidade
Retoque em obra
não existe retoque real
existe, com tinta compatível
Norma de referência
ABNT NBR 12609
ABNT NBR 14125
Perfil pintado aceita correção pontual de arranhão com tinta compatível, e perfil anodizado não, porque a camada de óxido não se refaz em obra.
O que a norma exige de cada um
Anodização para fins arquitetônicos tem norma própria, a ABNT NBR 12609. A AFEAL aponta que a Tabela 1 dessa norma relaciona a espessura da camada anódica às intempéries de cada região.
Revestimento orgânico, que é o caso da pintura, é tratado pela ABNT NBR 14125. As duas estão no catálogo da ABNT.
Especificar “anodizado” sem dizer a classe de espessura deixa a decisão para o fornecedor. Como a tabela da norma amarra espessura a ambiente, dizer o ambiente resolve.
Como o ambiente da obra decide
Perto do mar a camada trabalha contra a maresia, e em área interna quase não trabalha. A espessura que serve num caso sobra ou falta no outro. A Tabela 1 da NBR 12609 organiza essa conta, região por região.
No litoral, a maresia impõe o ambiente mais severo para esquadria de alumínio. Os dois acabamentos servem, desde que dimensionados para isso: anodização com camada mais espessa, ou pintura com sistema adequado a ambiente marinho. O que não serve é a especificação de área interna aplicada perto do mar.
Poluição e material particulado, típicos de área urbana e industrial, atacam a superfície ao longo dos anos. Os dois acabamentos aguentam, e a rotina de limpeza pesa mais aqui do que a escolha entre eles.
Em área interna, a exigência de proteção é baixa e a decisão passa a ser estética. Cor definida em projeto puxa para pintura, e aparência metálica puxa para anodizado.
Fachada de alto padrão cobra uniformidade, e o que salta aos olhos do cliente final é a variação de tom entre uma barra e a vizinha. Confira se todas as barras da mesma fachada saíram do mesmo lote, porque essa variação existe nos dois processos.
Quando a cor manda na escolha
Projeto com cor definida costuma decidir sozinho, já que a pintura eletrostática cobre qualquer cor de catálogo, inclusive tons fora do universo metálico.
Fosco natural, bronze em tonalidades e preto são o território da anodização. Nessa faixa mais estreita, a cor sai do processo e não de um pigmento aplicado.
Quando o arquiteto especificou um RAL, a conversa costuma acabar aí. Quando ele especificou “alumínio natural”, o anodizado é o que entrega isso.
O que conferir no recebimento
Depois que o ambiente decidiu o acabamento, a decisão precisa sobreviver à entrega. O lote que chega à obra confirma a especificação ou a perde ali mesmo. Boa parte da conferência se faz a olho nu, barra ao lado de barra, sem laboratório.
Uniformidade de tom entre as barras do mesmo lote, olhadas lado a lado e sob a mesma luz
Bolha ou descolamento na película, no caso do pintado, que indica falha de preparação
Mancha e sombra na superfície anodizada, sobretudo perto das extremidades
Risco e marca de manuseio, que depois do acabamento já não se corrigem
Corte e usinagem feitos após o tratamento, que expõem metal sem proteção e precisam de selamento
A documentação do lote, com a classe de espessura declarada
A AFEAL lembra que tratamento feito de maneira inadequada gera bolha, descolamento, mancha e diferença de tonalidade. São exatamente os sinais da lista, e é por isso que ela funciona.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre alumínio anodizado e pintado?
A anodização converte a superfície do próprio alumínio em óxido, por processo eletroquímico. A pintura aplica uma película de tinta em pó, curada em estufa, sobre o perfil. Uma camada faz parte do metal, a outra fica sobre ele.
Qual acabamento dura mais?
Depende do ambiente e da espessura especificada, e não do processo em si. Anodização bem dimensionada e pintura bem aplicada atendem obra de longa duração. O que encurta a vida dos dois é especificar para um ambiente e instalar em outro.
Qual o melhor acabamento para obra no litoral?
Os dois servem, desde que dimensionados para maresia: anodização com camada mais espessa, conforme a Tabela 1 da NBR 12609, ou pintura com sistema adequado a ambiente marinho. A limpeza periódica pesa tanto quanto a escolha.
Alumínio anodizado pode ter cor?
Pode, dentro de uma faixa mais estreita que a da pintura. Fosco natural, bronze em tonalidades e preto são as opções usuais, e a cor sai do próprio processo. Cor de catálogo fora dessa faixa pede pintura.
O que a norma exige da anodização?
A ABNT NBR 12609 trata da anodização para fins arquitetônicos, e a sua Tabela 1 relaciona a espessura da camada anódica às intempéries de cada região. Especificar o ambiente da obra é o que permite chegar à classe correta.
Perfil da Alumind chega à obra já acabado, anodizado ou pintado, na medida da aplicação. O cliente recebe o material pronto e não gerencia etapa de acabamento entre fornecedores. Cada transporte a menos é uma chance a menos de marcar o perfil, e marca de acabamento não se corrige em obra.
São 47 anos produzindo perfil sob medida, com engenharia que discute o acabamento junto do projeto e não depois dele. A linha atual está no catálogo, e o que não está nele a engenharia desenvolve.